Mais turismo urbano

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A sugestão da Paula do programa para o Turismo Urbano é pertinente. Nem sempre um hotel-colosso é a melhor solução para um centro histórico porque nem sempre a melhor abordagem a uma cidade é a dos circuitos turísticos pré-cozinhados prontos a servir. Uma bela cidade como o Porto, que é também uma cidade de negócios, precisa de hotéis de alta qualidade e de oferta standard, mas também não é sensato ignorar um outro mercado, o mercado de quem por qualquer motivo prefere outro tipo de alojamento.

A ideia de um albergue-difuso disseminado pelo centro histórico – e não só – oferece uma maior proximidade aos pontos de interesse e um envolvimento diferente a quem nos visita. Para além disso, esta seria uma boa maneira de redistribuir o bolo do turismo por quem vive no centro histórico, coisa que os hotéis das cadeias multinacionais não fazem. No fundo, seria uma espécie de “comércio justo” dos serviços de hospedagem, onde a exploração e comercialização dos recursos se faria sem intermediários e com o valor acrescentado de se contribuir directamente para a reabilitação e conservação do centro histórico. O casco velho é bonito, mas também poderia dar de comer.

Quero acrescentar mais dois apontamentos que não sendo propriamente ilustrativos do que acabei de dizer, são, no entanto, importantes para percebermos como o mercado das camas alternativas pode ter sucesso entre nós e para ilustrarmos qual poderá ser o papel a desempenhar pelas autarquias.

O primeiro caso é o do Oporto Poets Hostel que veio ocupar as instalações da Cooperativa Gesto e do bar que aí era explorado. Perdeu-se o bar com as melhores vistas da cidade (a ser egoísta, preferia ter ficado o bar), mas ganhou-se uma unidade hoteleira de referência no seu segmento, tendo chegado a figurar no top 10 mundial do seu “campeonato”. Para além do site, não deixem de ler estas crí­ticas extremamente positivas vindas de todo o mundo. No mínimo, inspiradoras não?

O segundo caso é o de Lagos. É óbvio que o Porto não é Lagos e haverá alguma diferença no perfil do turista que procura uma e outra cidade. Todavia, ambas partilham a sorte de possuírem centros históricos de grande interesse. Na cidade algarvia é fácil verificar que a Câmara Municipal incentiva o arrendamento de quartos no centro histórico controlando a oferta selvagem e identificando com dísticos as casas que estão autorizadas a exercer essa actividade. Calculo que haja uma fiscalização constante e um cuidado no controle de oferta porque as casas que verifiquei (do exterior) tinham muito bom aspecto apesar de humildes.

Uma rede destas poderia funcionar perfeitamente no Porto e com um pouco mais de genica até poderia competir com a rede convencional nos serviços de e-booking. Falta intervenção de um agente coordenador porque um negócio destes só faz sentido se existir oferta em quantidade e qualidade suficientes e gerida em rede, ou seja, não podem ser os proprietários avulso a tomar a iniciativa e esse agente tanto poderá ser a própria autarquia, como uma empresa pública ou privada ou até mesmo uma cooperativa.

David Afonso

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