«A Câmara e a Universidade de Aveiro (UA) estão a colaborar na reabilitação das construções em terra, outrora muito comuns na cidade e nos concelhos limÃtrofes, devido à escassez de pedra na região. São, ainda hoje, de adobe (pequeno bloco, semelhante a um tijolo, feito à base de areia ou de uma mistura de argila com palha, seco ao sol) as casas mais antigas do bairro da Beira-Mar, algumas das primeiras construções da Avenida Dr. Lourenço Peixinho e parte da Casa Major Pessoa, futuro museu de Arte Nova» . Ler notÃcia e outra ainda

Eu nasci e vivi numa casa destas enquanto andei pelas terras da Gafanha. O meu pai e um meu irmão habitam ainda em casas de adobe que, apesar de um pouco adulteradas, mantêm uma resistência impressionante e um comportamento térmico excelente. Acho que só comecei a sentir frio quando me mudei para um moderno apartamento no Porto. Quando criança gostava de passar o meu tempo a resgatar conchas e pedras coloridas de dentro do blocos de adobe. Esta arqueologia não era complicada porque aquilo esfarelava-se com muita facilidade. Munido de um pequeno pauzinho conseguia abrir grutas para os Ãndios e cowboys e, no entanto, era aquilo que mantinha a casa em pé! Viver numa casa de areia é o sonho de qualquer criança. É claro que um complemento fundamental destas casas é o azulejo colorido na fachada da frente que ajudava a sua impermeabilização e o soalho de pinho tirado da mata ali ao lado que nos dava um conforto quase maternal. A necessidade de reabilitar património edificado em adobe e as boas novas modas ambientalistas podem dar uma nova vida a este material. Como será uma cidade de areia?
Para saber mais sobre a casa gafanhoa e origem da foto
David Afonso




