A VIDA E AS CIDADES

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Álvaro Domingues é geógrafo e professor na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto. Os seus interesses e obras publicadas referem-se sobretudo ao âmbito da Geografia Urbana e dos processos de urbanização.

Do legado recente da Geografia Urbana, ficou uma teoria denominada “Ciclo de Vida das Cidades”. Com isto queria-se modelizar uma regularidade entre ciclos de concentração e de desconcentração: urbanização, suburbanização, desurbanização e re-urbanização. O mapa mental desta sequência estaria organizado em três unidades espaciais: centro (core), anel suburbano (ring) e aglomeração. Os indicadores espacializados eram sobretudo indicadores demográficos.
Hoje, apesar de se reconhecerem as limitações das variáveis demográficas para nos darmos conta das dinâmicas sociais e territoriais que adjectivamos como “urbanas” ou “das cidades”, persiste um imaginário que identifica a crise dos centros antigos como uma crise genérica da urbanidade, tal como a suburbanização ou as formas extensivas de urbanização. Tentarei demonstrar que não é assim. Em sociedades que são maioritariamente urbanas, o urbano (e não apenas as cidades) abrange as múltiplas formas e escalas da territorialização da sociedade, dos seus estilos de vida e modos de “habitar”.

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