A noite

A noite desempenha um papel cada vez mais importante nas cidades contemporâneas e esta importância não se reduz à sua relevância económica porque a noite é acima de tudo o lugar da liberdade e da criatividade. Não é por acaso que um pouco por todo o lado se procura disciplinar, regulamentar e fiscalizar a actividade noctívoga. Diria que o grau de civilidade de uma sociedade mede-se pela sua vida nocturna. Uma cidade que adormece por volta da meia-noite é uma cidade deprimida e sem grande expectativa de futuro. Ao passo que uma cidade com uma noite diversificada e entusiasmante estimula o optimismo e incrementa as interacções sociais e o desenvolvimento de pertença a uma comunidade.  Em ano eleitoral, valia a pena conhecer a perspectiva dos nossos candidatos autárquicos quanto a este tema.Por cá, tende-se a descurar o potencial cultural e social da noite e existe uma forte tendência para formatar a noite pelas regras do dia (vejam como as grandes casas que dominam a noite se parecem cada vez mais com hipermercados ou shoppings: estacionar, consumir em massa e pagar à saída, na fila) em detrimento da rua e da  espontaneidade individual. Em Nova Iorque, os cidadãos organizaram-se e perante a ameaça da barbárie criaram a Nightlife Preservation Community – The New York Nightlife Association, um exemplo de cidadania nocturna contra aqueles que, de uma forma ou de outra, pretendem normalizar a mais importante actividade da cidade que nunca dorme. Confesso que achei a ideia muito boa. É chegado o tempo da cidadania nocturna?

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