Devagar, devagarinho, o processo da reabilitação da Praça de Lisboa, no Porto, vai avançando, mas, ano e meio depois da apresentação do projecto do consórcio UrbaClérigos para o local, uma questão essencial continua sem resposta: quem irá ocupar a loja-âncora inicialmente destinada à entretanto falida livraria Byblos? A UrbaClérigos, através da Bragaparques, diz que “não existem ainda informações que possam ser prestadas” sobre esta matéria.
A ausência de clarificação quanto ao ocupante do maior espaço comercial da futura Praça de Lisboa levanta dúvidas sobre a viabilidade do projecto. Mas, do lado da Bragaparques não há qualquer sinal de vontade de abandonar a Praça de Lisboa. Pelo contrário, José Santa Clara, o director de expansão da empresa, que, com a John Neild Associados ,constitui a UrbaClérigos, salienta que o processo está a andar. “A aprovação do projecto de arquitectura por parte da Câmara Municipal do Porto foi recebida por nós a 24 de Agosto, depois de uma decisão favorável [do vereador do Urbanismo, Lino Ferreira] a 13 de Agosto”, diz.
O documento que formaliza a aprovação do projecto, a que o PÚBLICO teve acesso, contém a advertência de que a dita aprovação ficará sem efeito, caso não seja cumprido o prazo de seis meses para a entrega dos projectos de especialidade. Mas este é um prazo que não preocupa o consórcio UrbaClérigos. “Vamos, a curto prazo (menos de um mês), entregar os projectos de especialidades e o projecto de demolições, para dar continuidade ao processo de licenciamento da obra”, acrescenta Santa Clara, em resposta escrita enviada ao PÚBLICO.
Depois de, em Junho – e numa altura em que todos os prazos inicialmente previstos para este processo estavam já completamente ultrapassados -, ter arriscado apontar o arranque das obras na Praça de Lisboa para logo dali a “dois meses”, José Santa Clara adianta agora uma nova estimativa: “As obras de demolições iniciar-se-ão com a obtenção da correspondente licença emitida pela câmara, certamente ainda antes do Inverno.”
O projecto para a Praça de Lisboa, desenvolvido pelo gabinete do arquitecto Pedro Balonas, prevê a criação de uma estrutura em betão e vidro, fechada, e com fachadas ondulantes. No topo da estrutura deverão nascer espaços verdes. Para o interior está prevista a instalação do Pólo Zero da Federação Académica do Porto, mas nada se sabe ainda sobre os restantes ocupantes.
A UrbaClérigos foi o único concorrente a apresentar-se ao concurso público aberto pela Câmara Municipal do Porto em Dezembro de 2006 para concessionar a Praça de Lisboa. O projecto de reabilitação prevê um investimento de seis milhões de euros, ficando o consórcio com o direito de superfÃcie do local durante 50 anos.
Na altura de se pronunciar sobre o projecto, o Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) condicionou a sua aprovação final à alteração de alguns pressupostos, inclusive, o desaparecimento de um restaurante que deveria surgir acima da cobertura da praça. Para conseguir a aprovação final, datada de 3 de Agosto, a UrbaClérigos teve de cumprir as condicionantes expressas pelo Igespar, nomeadamente, “a eliminação do corpo destinado a restaurante/bar no Piso 1 e do auditório no piso inferior e consequente diminuição da deformação excessiva na laje da cobertura, bem como a diminuição dos restantes volumes/ondas, em especial na parte voltada ao edifício da Reitoria da Universidade do Porto, redução da escadaria monumental proposta para o gaveto das ruas das Carmelitas e S. Filipe de Nery e esclarecimentos quanto aos materiais de acabamento previstos e montras propostas”.
Fonte – Jornal Público



