Em Buenos Aires há brigadas de limpeza dos sem-abrigo

Carla Baptista tem 30 anos, seis filhos à volta e outro na barriga. Vive nas ruas de Buenos Aires, e poucos reconheceriam o seu nome se não tivesse sido uma das vítimas da Unidade de Controlo do Espaço Público (UCEP), que durante a madrugada “limpa” as ruas do centro da capital argentina e expulsa os sem-abrigo. Após diversas queixas, foram agora apresentados vários CD com provas de maus tratos contra indigentes que comprometem o governo local de Mauricio Macri.

O diário argentino Página 12 escreveu em título que Macri já tem os seus “grandes êxitos” em CD. O modo de actuação da UCEP “é sempre o mesmo”, adiantou ao Clarín a directora do Centro de Estudos Legais e Sociais de Buenos Aires, Andrea Pochak. “Saem à noite, sem identificação, não fazem actas e tratam as pessoas como se fossem coisas.”

Já passou mais de um mês desde que Carla Baptista foi pontapeada na rua por membros da UCEP, a 2 de Outubro. Segundo uma das 14 denúncias recebidas pela Defensoria do Povo de Buenos Aires, foi agredida em todo o corpo e depois tiraram-lhe o colchão. “Se te sentes mal, damos-te um tratamento”, disseram.

Não foi só a Defensoria do Povo a denunciar a situação. Também o Centro de Estudos Legais e Sociais e aDefensoria Geral da Justiça de Buenos Aires se juntaram para apresentar 14 denúncias e apelar ao presidente da autarquia, o conservador Mauricio Macri, para que acabe com a UCEP.

Na quarta-feira foram apresentados no Julgado Contencioso Administrativo n.º 2 de Buenos Aires vários CD com provas relativas a diversos casos, como o despejo de 103 famílias num edifí­cio em Paseo Colón. Nesses documentos estão nomes dos funcionários da UCEP, criada no ano passado, e estão também as denúncias de vizinhos e funcionários, adiantou ontem o diário espanhol El Mundo.

O responsável pela área de Ambiente e Espaço Público da capital argentina, Juan Pablo Piccardo, admitiu ter recebido várias denúncias, mas defendeu a UCEP. “Tem uma acção muito ampla, desde retirar cartazes colocados ilegalmente a atender denúncias de vizinhos por ocupação de espaço público”, disse ao El País. No entanto, a deputada de esquerda Liliana Parada considera que se trata “de uma política de exclusão de Macri que está a tirar os pobres da General Paz”, a avenida que divide a capital da província de Buenos Aires.

Vejam ainda este vídeo.

Fonte – Jornal Público

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