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A directora do Jardim Botânico de Coimbra está a coordenar uma candidatura ao Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), com vista à reabilitação do espaço. O objectivo último é reabrir os nove hectares de mata interditos há décadas.

“Tornar o jardim mais eficaz e atractivo na perspectiva da educação científica” é a ideia que norteia todo o trabalho, como referiu recentemente Helena Freitas no Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra. A iniciativa “H(À) conversa com….”, subordinada ao tema “Transformar os Jardins e os Espaços Públicos da Alta de Coimbra“, serviu de pretexto.

“Um dos objectivos da candidatura é requalificar as estufas tropicais, fazer uma intervenção de fundo, ao nível da estrutura e da própria eficiência energética. Actualmente, são alimentadas por gás natural, e queremos usar biomassa resultante dos resíduos do jardim”, clarificou a docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), mais tarde, em declarações ao JN.

Mas, como fez questão de sublinhar, “todas as intervenções que vão sendo possíveis, no Jardim Botânico, vão no sentido de abri-lo ao público, na totalidade, num contexto de ligação com outros espaços da cidade”.

Helena Freitas já havia dito, no Museu Nacional Machado de Castro, que era “frustrante” ter uma área de aproximadamente nove hectares fechada ao público: “Para ninguém a situação é mais penalizadora do que para mim”. Na visão da bióloga, a área que se encontra encerrada “há décadas”, correspondente à mata, deverá ser “visitável de forma livre”. Tal não é possível, actualmente, por não estar garantida a segurança, nem das espécies, nem dos visitantes. A introdução de mobiliário urbano, bem como de “sinalética científica e turística”, é outra das metas a alcançar mediante as verbas do QREN.

Também é desejo da professora catedrática do Departamento de Ciências da Vida da FCTUC que se aposte na criação de infra-estruturas de apoio aos visitantes e à própria área científica. No entender de Helena Freitas, o banco de sementes, por exemplo, carece de requalificação. A oferta virtual também deve ser trabalhada, rumo à inovação, e o “website” melhorado.

“O Jardim Botânico não é um jardim qualquer. Tem uma mensagem importante, que é a do conhecimento cientí­fico”, reiterou a directora, ao JN.

Na última semana, a responsável já tinha deixado bem clara a sua opinião acerca da importância do jardim pombalino: “Este não é um jardim igual aos outros, tem uma função educativa e científica essencial, que ultrapassa um jardim de recreio normal. Uma das preocupações que tenho é podermos estar a hipotecar a sobrevivência destes espaços”.

A candidatura aos fundos do QREN obedece, precisamente, a esse desejo de “promover a ciência e demonstrar como é possível tornar um espaço público eficiente”, acrescentou.

Recentemente, veio a público a notícia de que o Jardim Botânico se tornara autónomo em água, fruto da opção por um sistema de rega inteligente, capaz de poupar até 30% nas despesas de manutenção.

Uma solução que permite regar o espaço com a água oriunda de um furo feito junto à mina, sem recorrer à da rede pública, que implicava um custo anual de 30 mil euros.

Fonte – Jornal de Notícias

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