Lendas medievais que se extinguiram em Portugal continuam a ser narradas na tradição oral de paÃses da América do Sul, um fenómeno que estará em debate num congresso que juntará, em Chaves, especialistas espanhóis, brasileiros ou mexicanos.
A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em conjunto com o Observatório da Literatura Infanto-Juvenil (OBLIJ) e Câmara de Chaves, está a organizar o congresso internacional “Releituras do fenómeno mÃtico-lendário no espaço ibero-americano”.
Entre os dias 14 e 16 de Maio estarão reunidos em Chaves especialistas de Portugal, Espanha, Brasil, Panamá ou México.
O investigador de literatura oral tradicional Alexandre Parafita disse hoje à Agência Lusa que “grande parte das lendas medievais portuguesas e espanholas ajudou a construir, durante séculos, o imaginário mÃtico-lendário dos paÃses da América Latina”.
Por exemplo, afirmou, “muitas lendas que se extinguiram em Portugal, continuam hoje a ser narradas na tradição oral brasileira”.
Assim, acrescentou, “através da análise de muitas das lendas da tradição oral do Brasil, México, Venezuela, Peru, entre outros paÃses, é possÃvel resgatar a presença de raÃzes culturais de Portugal e de Espanha”.
Alexandre Parafita explicou que muitas tradições, que em Portugal estão já desfiguradas em relação à s lendas originais, como é o caso das festas dos “Caretos”, dos “Reinados”, da “Bugiada” ou dos “Sécios”, continuam em algumas zonas do Brasil para onde foram levadas pelos portugueses, recebendo aÃ, entre outros, os nomes de “Cavalhadas”, “Cheganças”, “Alardo” e também “Mouramas”.
“Como pano de fundo destes rituais encontra-se, invariavelmente, o fenómeno da Reconquista Cristõ aos mouros e os sucessos bélicos que o desenham, os quais terão mesmo inspirado a acção bélica dos conquistadores de todo o amplo espaço indÃgena brasileiro”, referiu.
Aliás, salientou, o grito de guerra “A eles, com Santiago!”, muito comum nos relatos ibéricos da luta contra os mouros, foi também usado nas lutas contra os indÃgenas na conquista do Maranhão, no início do século XVII.
Segundo o investigador, toda esta influência está igualmente retratada em registos iconográficos de “Santiago Matamouros” auxiliando na luta contra os indÃgenas do Peru e no México, onde o santo aparece, tal como entre nós, no seu cavalo branco com os mouros derrotados aos pés.
Fonte – Público





