Lançamento do Livro "A Rua da Estrada"

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No próximo sábado, 6 de Feveiro, é lançado na loja Vida Portuguesa na Rua Galeria de Paris, pelas 18h, o livro A Rua da Estrada da autoria de Álvaro Domingues que será com toda a certeza uma das minhas próximas leituras. Aconselho vivamente a leitura da reportagem do Jornal Público sobre este livro publicada no passado Domingo no suplemento Cidades.

A Rua da Estrada é um conceito que emerge sobre os escombros da dupla perda da «cidade» e do «campo» e da oposição convencional entre o «urbano» e o «rural». Da cidade, existe a ideia muito comum de que se trata ao mesmo tempo de uma forma de organização social (a polis ou a civitas) intensa e diversa que ocupa um território densamente construído, com uma forma, um centro e uns limites perfeitamente definidos. Esta imagem da cidade aparece como um «interior» confinado, rodeado pelos espaços extensivos e rarefeitos da agricultura, da floresta ou dos espaços ditos naturais. No mesmo registo, o rural seria o espaço da agricultura; agrícola porque maioritariamente dependente da economia agro-florestal, e rural, no sentido cultural, porque correspondente a estilos de vida e visões do mundo dominadas por um certo tradicionalismo atávico e pelo fechamento sobre si.

Nada mais falso. As transformações da agricultura e do rural são tão radicais, quanto as que se verificam nas cidades.

Hoje a urbanização progride a um ritmo avassalador e já não está exclusivamente dependente da aglomeração e da proximidade física entre as pessoas, os edifícios e as actividades. As infraestruturas “como a as estradas ou as redes de telecomunicações, água ou de energia“, percorrem territórios imensos que tornam possível um sem número de padrões de localização e de formas de organização social. O urbano é um «exterior» desconfinado e instável, por contraposição à imagem da cidade amuralhada.

A Rua da Estrada é a perfeita imagem desta metamorfose. Mais do que lugar, a Rua da Estrada emerge como resultado da relação, do movimento. O fluxo intenso que a percorre é o seu melhor trunfo e a sua própria justificação. Sem fluxo não há troca nem relação, génese primordial da velha cidade. Dizia-me alguém explicando as manobras de sedução que praticava para tornar o seu negócio visível para quem vai na estrada: «o problema é fazê-los parar».

Fonte – Dafne Editora

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