Cafés de luxo devolvem dinâmica aos Aliados

O repto de 2007 da Sociedade Porto Vivo começa a dar frutos. Aos poucos, as sedes de extintos bancos na Avenida dos Aliados, no Porto, estão a ser ocupadas por cafés de luxo, como o Casal, que abriu há uma semana. Um regresso ao passado animado.

As esplanadas eram majestosas, os interiores imponentes. Num, jogava-se bilhar ou quino. Noutro, faziam-se tertúlias acaloradas sobre tudo. Em todos, a música era rainha. Nos cafés dos Aliados havia autênticas orquestras a tocar, que entravam em concorrência, numa espécie de desgarrada que punha os clientes a correrem de porta em porta. Assim era a Baixa na década de 30.

Clientes não faltavam, até porque no centro proliferavam bancos, escritórios de advogados, comércio e moradores. Quando Fernando Oliveira foi trabalhar para a Confeitaria Ateneia, há 40 anos, ainda era um pouco assim. As mesas estavam sempre cheias e a fila de espera estendia-se até à Praça da Liberdade. “Tínhamos mais de 20 empregados”, recorda. O mesmo se passava na Cervejaria Capitólio. “Há 20 anos, só para as mesas, éramos quatro empregados. Agora, só resto eu”, diz António, conhecido por “Tonecas”.

Agora, na Ateneia, o movimento faz-se sobretudo à custa dos turistas, que adoram fotografar um espaço que mantém a traça dos anos 30. Para dar à Baixa o “calor” de outrora, a Sociedade Porto Vivo lançou um repto, em 2007, para que os bancos com sedes nos Aliados libertassem espaços para o comércio de luxo. “Essa é a orientação do masterplan e de um modo geral isso já está a acontecer, está lançada uma nova dinâmica”, acredita o presidente da sociedade de reabilitação urbana, Arlindo Cunha.

“Uma autêntica revolução”

De facto, o repto começa a ter respostas e a Baixa começa a “fervilhar” com novos espaços de qualidade. O Grande Caffé, nas antigas instalações do BES, foi dos primeiros. Seguiu-se o Aliados Winter Club, o “X-Press” e, agora, o Café Lounge Casal, que abriu há uma semana no edifí­cio onde funcionava o Banco Totta & Açores.

Para o proprietário, Francisco Casal Ribeiro, que representa “a terceira geração” da família Casal (famosa desde a década 40 pela produção do chocolate com o mesmo nome), a Baixa do Porto já vive “uma autêntica revolução”, com a movimentação de salas de espectáculo como o Rivoli e a vida nocturna nas Galerias Paris.

E é de tudo isso que pretende tirar partido. O “Casal”, investimento de 600 mil euros, está aberto do iní­cio da manhõ até de madrugada, quando deixa de servir cafés e refeições para funcionar como bar, com música ao vivo. “Apesar de todo o conforto, praticamos uma política de preços moderados”, sublinha o responsável.

Fonte – Jornal de Notícias

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