Património de Castro Verde ameaçado por falta de apoio

294020A prolongada pluviosidade que tem fustigado a região alentejana desde Dezembro está a expor a fragilidade da riqueza patrimonial nos templos religiosos do Baixo Alentejo. A Basílica Real de Castro Verde, que remonta a 1573 e que o rei D. João V reconstruiu em 1727, é a que suscita maior preocupação à autarquia e à diocese de Beja.

Os sinais de degradação que o seu interior apresenta podem redundar numa destruição irreparável de património artístico, se o edifí­cio não for sujeito a uma intervenção de emergência, alerta o presidente da Câmara de Castro Verde, Francisco Duarte, arquitecto de profissão. Também José António Falcão, director do Departamento do Património Histórico e Artístico (DPHA) da diocese de Beja, está consternado com os sinais que indiciam a degradação do interior da basílica real.

Do tecto da igreja, pintado entre 1728-1731, já caem fragmentos em cima da cabeça de quem frequenta os actos litúrgicos, observa António Falcão, explicando que “boa parte do madeiramento da cobertura”, descrito como “um dos mais espantosos exemplos da marcenaria do tempo de D. João V”, de que se conhecem apenas dois paralelos, um no Brasil e outro perto de Lisboa, “está em risco de colapsar”. Também os mais de 60 mil azulejos “estão em perigo”, adverte o director do DPHA.

Milhares deles estão praticamente desprendidos das paredes e podem cair a qualquer momento. As pinturas murais a fresco e a têmpera encontram-se também a desagregar-se da argamassa em areia. “É o resultado de muitos anos de infiltrações e incúria”, critica António Falcão, frisando que a situação “começa a tornar-se insustentável”: “É um escândalo estar a perder-se assim um património nacional a um ritmo acelerado.” Se o problema continuar indefinidamente, a falta de condições de segurança poderá “obrigar a fechar o edifí­cio ao culto e aos visitantes”.

“Baralho de cartas”

A igreja é um dos monumentos mais visitados da região, pela qualidade das obras de arte ali existentes, desde a talha da escola de Lisboa ao enorme conjunto de azulejos que contam o ciclo da batalha de Ourique. A sequência de painéis estende-se desde os primórdios do combate até à conquista de Santarém, elemento-chave do reinado de D. Afonso Henriques. “Estamos perante um edifí­cio cujo importância transcende muito o Alentejo e até o país”, salienta António Falcão. O presidente da Câmara de Castro Verde partilha das apreensões do responsável da diocese de Beja e critica a inércia do Estado, que classificou o imóvel de interesse público. “Não basta dizer-se que a basílica é uma igreja muito bonita”, observa o autarca, deixando claro que o município não tem condições orçamentais para recuperar um “magnífico exemplar do património nacional”. Em 2009, revela, foi “chumbada” uma candidatura submetida ao Quadro de Referência Estratégica Nacional, orçada em dois milhões de euros.

A diocese de Beja e autarquia, inconformados com a decisão, “vão voltar a apresentar o projecto de requalificação da basílica”, agora para um investimento entre os 600 e 700 mil euros. Só que o tempo é cada vez mais escasso, ao ponto de o autarca reclamar uma intervenção de emergência. “Se a autarquia tivesse disponibilidades financeiras, a recuperação da basílica seria uma acção prioritária da minha gestão”, adianta Francisco Duarte, dando conta que já se recorre à fita adesiva para segurar azulejos que formam “barrigas” nas paredes do templo.

“Estamos perante um castelo de cartas”, compara António Falcão, antevendo que a queda de um azulejo precipite a perda de centenas ou milhares de exemplares das paredes da basílica.

Fonte – Jornal Público

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Uma resposta a Património de Castro Verde ameaçado por falta de apoio

  1. Rui Brito Lança diz:

    a foto está errada, não é a Basílica Real de Castro Verde, é sim Igreja de Nossa Senhora dos Remédios

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