Cidade entra em projecto europeu para promover a mobilidade a pé. Objectivo é deixar os automóveis em parques periféricos e obrigar à circulação pedonal. Condições naturais, a ria e as casas de arte nova, são atractivos a ter em conta.
Apesar de Aveiro ter zonas exclusivamente pedonais é difÃcil circular a pé.” A queixa parte de quem sabe bem do que fala, por dedicar grande parte do seu tempo a guiar visitantes pelas ruas da cidade dos canais.
Eliana Florentino, da empresa O Cicerone, acolhe, por isso, com agrado, e também expectativa, medidas para melhorar a mobilidade pedonal e ciclável no centro. “Mesmo nas zonas ditas pedonais existe circulação automóvel e os veículos que aà circulam não respeitam os restantes utilizadores da via pública”, afirma a guia turística.
Para alterar este panorama, Aveiro decidiu entrar no projecto europeu Active Access, que já permitiu dar a conhecer diversas experiências em curso. Contributos para lançar acções idênticas localmente, possivelmente numa área-piloto a criar na parte antiga da cidade, conhecida popularmente como bairro da Beira-Mar.
Integrado no programa Intelligent Energy Europe, junta 17 parceiros comprometidos em promover alternativas ao automóvel na circulação das respectivas cidades nas pequenas deslocações.
Tal passará, antes de mais, “pela alteração do mapa mental”, disse o arquitecto José Quintão, coordenador do projecto em Aveiro, realçando a importância dos cidadãos “terem consciência” das hipóteses de fazer compras ou aceder a serviços e actividades de lazer na vizinhança.
Um primeiro exercÃcio dos técnicos municipais envolvidos para ser divulgado publicamente, permitiu já mapear uma série de percursos para andar pela cidade a pé até ao máximo de 15 minutos. Trata-se, sobretudo, de uma informação útil para visitantes, mas que os residentes devem, igualmente, aproveitar com implicações, desde logo a bem da própria saúde, mas também do fomento do comércio tradicional e do reforço de laços de vizinhança.
Aveiro possui condições que favorecem a circulação pedonal e ciclável, graças à topografia plana, reduzida dimensão citadina e paisagem natural (a ria) e construÃda (casas arte nova). Já ao nÃvel das infra-estruturas, os passeios, para além de degradados, viram nascer obstáculos ao longo dos anos e tornaram-se pouco convidativos para quem anda a pé, carrinhos de bebé ou cadeira de rodas. Estas e outras correcções poderão começar a ser feitas, prioritariamente, no bairro da Beira-Mar. Em algumas ruas, o estacionamento, escasso, já se tornou exclusivo dos moradores. O esforço seguinte será remeter os restantes automobilistas para os parques de periferia, desafiando-os a entrar a pé na cidade.
Fonte – Diário de NotÃcias




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