O suplemento “Cidades” do PÚBLICO de hoje é um óptimo documento sobre o «Programa Pólis». Simpaticamente apelidam o dito programa de analgésico. Creio, no entanto, que nem isso chega a ser porque nada teve a ver a com cidades e muito menos com os problemas das cidades. Tratou-se de uma tentativa de replicar o modelo “Expo98″ e de tornar a paisagem urbana portuguesa mais gentil ao olhar do turista e das elites. Num tique neo-pombalino distribuiu-se projectos e obras por alguns – muito poucos – e levou-se a cabo a obra civilizadora: palmeiras, relvados e pistas de jogging. Tudo muito agradável e suave ao toque. Neste cenário “moderno” desenhado a partir de Lisboa não há lugar para o ruído visual que comprometa o postal e o edifício de 13 andares de Viana do Castelo tem de ser sacrificado. Na disneylândia não há espaço para a realidade. Já o Estado Novo tinha realizado uma purga purificadora da paisagem patrimonial portuguesa em nome de uma portugalidade imaginada a partir do Terreiro do Paço, um Portugal dos Pequenitos à escala real. Hoje a letra é outra, mas a cantiga é a mesma.




