Nos últimos tempos, todo o planeamento urbanístico de Coimbra tem sido feito em função das linhas do metro
Um conjunto de infra-estruturas da cidade tem sido adiado ou condicionado em função da definição do Sistema de Mobilidade do Mondego. A Estação Nova é um dos exemplos mais paradigmáticos. Quando tudo apontava para o encerramento da estação de comboios e futura reconversão em Museu de Arte Contemporânea, voltam a surgir as dúvidas.
Em tempos, ainda se falava num centro cívico e cultural, Sintra Nunes, da Invesfer (empresa subsidiária da Refer para a valorização do património imobiliário), chegou a referir que «programa de requalificação está interligado com o metro», pelo que, «se não houver metro, não sei o que acontecerá».
E dúvidas levantam-se, igualmente, relativamente ao funcionamento da linha, já que, desde o início do ano, que não se realizam viagens directas até Coimbra-A, com os passageiros a serem obrigados a mudar de comboio na Estação Velha. Tudo isto a anteceder o fecho da ligação entre estações para a conclusão das obras do ramal da Lousã até à nova Estação Central, agora também condicionada pelo Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC).
Depois do cancelamento do programa “Estações com Vida”, Joan Busquets desenvolveu o projecto de requalificação e inovação urbana, a implantar entre as duas estações, que prevê a criação de amplos espaços públicos em contacto directo com o rio, conforme foi apresentado recentemente na autarquia. No entanto, com o atraso da Estação Central, directamente relacionada com a Linha de Alta Velocidade, os projectos voltam a aguardar por “melhores dias”.
Numa cidade que, nos últimos tempos tem desenvolvido o planeamento e gestão urbanística em função da passagem do metro, pode dizer-se que várias intervenções chegaram a ser reformuladas para permitir a articulação com o transporte ferroviário. Foi o caso de um conjunto de apartamentos na Casa Branca.
Até o abastecimento de água tem sido afectado pelo Sistema de Mobilidade do Mondego. Recentemente, vários pontos da cidade foram afectados por falhas de água, devido à interrupção dos trabalhos de uma nova conduta, com ligação à Quinta Nova, porque coincidia com uma passagem do metro. «O reservatório está construído a uma quota mais elevada e, logo, a água sai com mais pressão», explicava ao DC, o presidente do Conselho de Administração da Águas de Coimbra (AC). Uma vez que não estava em funcionamento a tal nova conduta, a água passou a circular na infra-estrutura da AC para a distribuição, que «além de velha, não estava preparada para tanta pressão» e rebentou em vários pontos, dizia Marcelo Nuno.
Há também quem relacione os sucessivos atrasos na intervenção na Praça da República, para onde está prevista a construção de um parque de estacionamento subterrâneo, ao Sistema de Mobilidade do Mondego, porque, durante algum tempo foi equacionada a possibilidade do atravessamento entre aquela zona e os HUC acontecer de forma subterrânea.
Aliás, relativamente à Praça da República e depois da vereadora da Cultura anunciar que quer retirar dali as tendas, a Câmara Municipal aprovou, recentemente, um estudo de viabilidade para adoptar uma solução.
Fonte – Diário de Coimbra





A destruição do ramal ferroviário Coimbra – Serpins foi mesmo uma malfeitoria para os seus milhares de utentes e um escandaloso esbanjamento de recursos públicos num projecto sem qualquer sustentabilidade, como oportunamente alertou o Movimento de Defesa do Ramal da Lousã.
A verdade é que começaram por destruir um sistema de transporte que funcionava e até agora, que se saiba, continua por confirmar a sustentabilidade da tão propagandeada linha urbana.