A animação nocturna contagiou o dia e, a par dos bares, têm surgido novas lojas nas ruas junto ao Teatro Carlos Alberto, no Porto. O Verão traz o corrupio de turistas, mas o cenário é desolador. Não há parede sem grafitos, sobram colagens e o cheiro a urina é intenso.
O investimento privado nas ruas de José Falcão, da Conceição e das Oliveiras tem crescido nos últimos anos, nomeadamente com a abertura e a revitalização de estabelecimentos de animação nocturna. Tornou-se num dos locais mais procurados da noite do Porto. Mas o sol revela o que a lua não mostra. E, entre alguns empresários, comerciantes e moradores da zona, vive o lamento pelo facto do investimento público não acompanhar o privado.
O piso do passeio e da Rua das Oliveiras é incerto e esburacado. Não convida a uma caminhada, apesar de, neste mês de Agosto, a zona estar repleta de turistas. A poucos passos da entrada do Teatro de Carlos Alberto, o cheiro é, muitas vezes, nauseabundo.
Ao final da tarde, os três contentores estão a transbordar de lixo com sacos amontoados no passeio, gerando uma imagem de degradação à porta de uma das principais casas de espectáculos da cidade. A recolha de resíduos, a cargo da Câmara do Porto, é diária. Aqui, a culpa, garantem os vizinhos, é sobretudo da falta de civismo.
“O espaço público está desmazelado. Tem um aspecto sujo. O civismo ainda não está enraizado na mente de muitos portuenses. Há sempre lixo a transbordar dos contentores, porque as pessoas não se dão ao trabalho de acomodá-lo”, condena o morador António Cruz, apontando para o estreito passeio enegrecido pela gordura do lixo. O odor é insuportável. Também o cheiro a urina repete-se a cada recanto dos prédios.
O vandalismo está bem visível nas paredes, algumas portas e janelas de prédios degradados e até no multibanco da Rua de José Falcão (a tinta cor-de-rosa pintada no ecrã impossibilita a sua utilização).
Os cartazes, colocados por todo o lado (paredes, janelas e candeeiros de rua) agravam o cenário de desmazelo numa área onde há cada vez mais vida. “Antigamente ainda era pior. Antes de virem para cá as lojas, havia pessoas a dormir nas portas. Mas grafitos e dejectos não faltam. A Câmara do Porto nada faz”, sustenta o empresário Luís Marinho.
Os comerciantes e os moradores ouvidos pelo JN garantem que, por ali, nunca viram a brigada anti-grafitos da Autarquia a actuar. Se querem as paredes e os passeios limpos, têm de ser os privados a fazê-lo.
“O único serviço da Câmara que vemos constantemente por aqui são os reboques por causa do estacionamento. A minha firma é que manda limpar as paredes. À segunda-feira, a entrada da galeria (Lumiére) tem de ser lavada com lixívia”, acrescenta ainda. A convicção de quem vive e trabalha na zona é que falta policiamento nocturno a pé, feito de modo regular, para desincentivar a prática de vandalismo.
Fonte – Jornal de Notícias



