O sol banha o corredor central. Espreita pela cobertura em vidro e dá protagonismo aos pilares vermelhos em ferro recém-renovados. Mas o esplendor da manhã passa despercebido ao pequeno exército de trabalhadores que prepara a reabertura do Hard Club.
A azáfama é tamanha num mercado Ferreira Borges transformado. Todos os minutos contam até à noite da reabertura no dia 16 de um espaço que, em Gaia, se tornou conhecido pela música. Agora, no Porto, será muito mais do que rock.
Os concertos continuarão a marcar a pulsação do Hard Club, porém, com as portas abertas de manhã à noite, terá exposições, teatro, cinema, programação infantil e iniciativas para cumprir em família, para além da gastronomia lusitana com direito a provas de vinho, sobretudo Vinho do Porto e vinhos verdes e do Douro.
A poucos passos da Ribeira, não admira que os turistas sejam clientes desejados. “O Hard Club não será só rock. Queremos juntar um leque alargado de música à gastronomia, ao turismo e ao cinema. Teremos internet wireless em todo o espaço numa parceria com a Porto Digital”, explica Paulo Ponte, um dos promotores do projecto, apontando para a área, junto à entrada principal, onde ficará a bilheteira, a livraria e discoteca, a loja de merchandising com produtos da marca Hard Club e o balcão onde se venderão bilhetes para os circuitos turísticos da cidade.
Num corrupio, os operários ultimam a construção dos dois blocos negros insonorizados, pousados sobre um pavimento de borracha, sem tocar nas paredes nem no rendilhado de ferro da estrutura do mercado.
No corredor central, banhado pela luz solar, surge ao fundo o palco acústico, no qual se realizarão concertos gratuitos em colaboração com as escolas da região. As imensas paredes pretas servirão as exposições. A estreia caberá ao fotógrafo António Teixeira que mostrará imagens do passado do Hard Club.
No varandim exterior com vista para a Praça do Infante, terá esplanada com serviço de bar e refeições ligeiras à hora do almoço, a pensar em quem trabalha, mora e estuda na zona. “Ao jantar, teremos refeições mais ricas”, a cargo do chefe Ricardo Coelho. O restaurante com zona de lounge dedicada ao vinho surge no primeiro piso do bloco à esquerda.
No piso inferior, os trabalhadores cuidam do revestimento da sala 2 (com capacidade para 120 pessoas sentadas e 300 de pé). As salas de estúdio e de ensaio ficam contíguas.
“As bandas que actuarem no Hard Club poderão fazer a captação de audio e de imagem e executar o trabalho de pós-produção neste estúdio. Saem daqui com uma master pronta para ser editada”, acrescenta Paulo Ponte.
Do lado oposto do corredor central (designado main floor), ergue-se a enorme sala 1, capaz de acolher mil pessoas. Foi criada uma zona de estar elevada com bar, para quem prefere assistir aos concertos longe da multidão.
A programação do Hard Club para Setembro já está definida. A entrada na noite do dia 16 será só por convite. Nos dias seguintes, a casa estará aberta a todas as idades.
Os eventos para crianças e famílias realizar-se-ão, sobretudo, nas manhãs dos fins-de-semana. Além dos concertos, destaque para o teatro pela Palmilha Dentada que estreará, no dia 28 às 21.45 horas, a peça “O Guardião do Rio” na sala 2. Estará em cena de domingo a terça-feira até 7 Dezembro. Os bilhetes em pré-venda custam 7,50 euros. No dia do espectáculos ficam por 10 euros.
Fonte – Jornal de Notícias




