O novo sistema de circulação automóvel na Baixa de Lisboa, que passa a ser aplicado já em Setembro – ainda não está definido o dia exacto -, vai obrigar a câmara municipal a alterar várias dezenas de sinais de trânsito e de indicações de destinos, adaptar os temporizadores dos semáforos, pintar no asfalto outras setas de sinalização, e eliminar as anteriores, e tornar a abrir ao tráfego uma rua que se tinha tornado pedonal. O vereador da Mobilidade da Câmara de Lisboa, Fernando Nunes da Silva, garante ao DN que “não vai aumentar o trânsito” e admite que, “no início, haverá algumas falhas nos tempos dos semáforos”.
Entre as principais diferenças em relação ao sistema ainda em vigor, destaca-se o facto de a Rua da Conceição, actualmente só com tráfego automóvel no sentido da Sé para o Chiado – e eléctricos da Carris nos dois sentidos -, passar a admitir também a circulação de carros no outro sentido.
Esta artéria passa a servir como eixo de ligação directa entre a Sé e o Chiado – e vice-versa -, pois deixa de receber trânsito proveniente das ruas dos Fanqueiros, da Prata e do Ouro, situações que actualmente ainda são permitidas.
Por isso mesmo, o vereador garante ao DN que, apesar da Rua da Conceição passar a admitir circulação automóvel nos dois sentidos, o volume de tráfego “não deverá aumentar e até se prevê que diminua dos actuais 250 veículos por hora para cerca de 125″.
Devido a estas alterações, quem desce as ruas do Ouro ou dos Fanqueiros, só vai poder virar à direita na Rua do Comércio, enquanto hoje é possível fazê-lo na Rua da Conceição (ver mapa).
Fernando Nunes da Silva, explica que a Rua da Conceição “deixa de receber trânsito das ruas do Ouro e dos Fanqueiros com destino ao Chiado, passando essas viragens a ser feitas para a Rua do Comércio, que é mais larga, tem menos lojas e melhores condições para receber mais tráfego”.
Ainda de acordo com os mapas do novo plano de circulação, a que o DN teve acesso, quem desce as ruas do Ouro ou dos Fanqueiros, só pode virar à esquerda para a Rua de São Julião. Esta artéria e a Rua do Comércio funcionam, em conjunto, como um anel de distribuição de tráfego.
Segundo este plano, quem desce da Sé com destino à frente ribeirinha, tem de virar à esquerda para a Rua da Padaria, e novamente à esquerda, para a Rua dos Bacalhoeiros – uma artéria que actualmente é pedonal -, e outra vez à esquerda, para a Rua da Alfândega, entrando finalmente na Avenida Infante D. Henrique, junto do Campo das Cebolas.
Um problema labiríntico vai enfrentar quem não descobrir a estreita Rua da Padaria e continuar a descer até entrar na Rua da Conceição, pois só terá hipótese de virar mais à frente, à direita, para a Rua da Prata, subir até ao Rossio, contorná-lo para a Rua do Ouro e descer até à Rua de São Julião, percorrê-la para entrar à direita, na Rua dos Fanqueiros, e seguir até à Rua da Alfândega, que dá acesso à Avenida Infante D. Henrique.
Também em Setembro, quando passar a ser aplicado este plano de circulação, muda o sistema de semaforização na Baixa, para levar os automobilistas a praticar uma condução mais ecológica.
O vereador da Mobilidade explicou ao DN que o sistema mede a velocidade de circulação dos veículos, passando o semáforo para vermelho se ultrapassar o limite de 40 quilómetros por hora. O objectivo é levar os automobilistas a conduzir a uma velocidade constante até aos 40 quilómetros por hora, o que permite reduzir o ruído e a emissão de gases poluentes.
Esclareceu que, se os condutores cumprirem esse limite de velocidade, “conseguem atravessar toda a Baixa sempre com os semáforos verdes sem terem de parar”. Frisou que “as emissões de gases poluentes aumentam muito com o pára-arranca dos veículos”.
Fernando Nunes da Silva admitiu que “não vai ser fácil acertar logo no início” as temporizações do sistema de semáforos, prevendo que seja necessário “ir fazendo alguns ajustes e correcções”.
Fonte – Diário de Notícias
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