Muito carro, muita transgressão no estacionamento. Muita impunidade também, salta aos olhos de quem anda no Porto, apesar de as polícias apresentarem números que as mostram atentas e actuantes. Por dia, são passadas 117 multas. Muitas mais ficam por passar.
Diz-nos o Comando Metropolitano do Porto da PSP, indagado acerca da fiscalização do estacionamento na cidade, que os números respeitantes a 2009 são sintomáticos do esforço despendido por essa força de segurança para combater tais “comportamentos anti-sociais”: cerca de 15 mil participações/autuações e aproximadamente quatro milhares de veículos rebocados ou bloqueados.
Mais expressivos, ainda, são os números da Polícia Municipal, igualmente respeitantes ao ano passado: 28 mil autos de contra-ordenação, 10 500 veículos bloqueados e nove mil rebocados.
Claro que os números engordam com a fiscalização do estacionamento pago (parcómetros), ou seja, com transgressões que afectam as receitas municipais mas não causam qualquer dano à circulação automóvel ou de peões.
Podem os números ser necessários a qualquer abordagem séria do problema, mas a percepção dos cidadãos não necessita de tais elementos auxiliares. Circular pelo Porto em tarde laboral significa que, praticamente ao virar de cada esquina podem ser vistos carros estacionados em evidente atropelo da lei.
Sinalização vertical é como se não existisse, traços amarelos no chão parecem invisíveis, como invisível é a presença policial. E é essa a percepção que nenhum estudo cientificamente conduzido consegue contrariar: circula-se pela cidade e não se vêem, como em tempos, agentes policiais a pé ou em motorizadas, fiscalizando o comportamento dos automobilistas.
“Esta Polícia está atenta à situação e a trabalhar concertadamente no sentido de minimizar o impacto de tais problemas no dia-a-dia dos cidadãos”, lê-se na resposta da PSP enviada ao JN.
Ora, nada há a dizer quanto à bondade de tal afirmação, mas o caos citadino é a prova de que para estar atento são necessários meios. Estacionamentos em cima do passeio, em segunda fila, nos corredores de circulação de transportes públicos ou em rampas de acesso a habitações são os tipos de infracção mais combatidos pela PSP. Que ficam muito aquém do panorama generalizado de transgressões.
Ainda sem dados respeitantes ao ano em curso, presume a PSP que, “em resultado das acções fiscalizadoras, os números respeitantes às infracções rodoviárias referidas não deverão ser inferiores aos do ano anterior”.
Tendo de fazer escolhas, em função dos meios disponíveis, a Polícia afirma estar mais direccionada para a fiscalização do estacionamento em passadeiras ou que, em transgressão, afecte a visibilidade em zonas de atravessamento pedonal. Compreende-se que assim seja, por ser prioritária a segurança das pessoas.
Fonte – Jornal de Notícias



