Bares da Baixa entre o “boom” e o “botelhão”

Em três anos, o ‘boom’ de bares reabilitou a Baixa, coisa nunca alcançada nas três últimas décadas. Impôs um novo modelo de consumo, revelou um ponto turístico e criou emprego. Mas há um lado negro: o consumo desregrado na rua e as violações regulares da lei.

A quadra, um quilómetro quadrado de Baixa do Porto, na mancha a oeste da Torre dos Clérigos, começou a desenhar-se em 2007 e mantém ampliação contínua. Quem nela trabalha concorda que está numa explosão económica – e ainda só a começar.

É o ‘boom’ nocturno da Baixa: 100 bares/cafés/discotecas em que 80% dos espaços abriram portas nos últimos três anos, e onde a maioria tem intenções de contemporaneidade cultural.

O público que os frequenta, muito abrangente em classe e poderio económico, mas com uma maior parte de classe média aparentada com os interesses das artes, é imenso ao ponto de haver ruas em que ao fim-de-semana há sempre réplica de S. João.

É um novo ponto de atracção turística, também para os do Porto, que há décadas não viam surgir um novo posto de consumo nocturno – os anteriores, Ribeira e Zona Industrial, desapareceram nos anos 1990 e 2000.

A Associação de Bares da Zona Histórica estima que em três anos tenham sido criados nesta indústria 400 novos postos, directos, de trabalho. “É um novo casco empresarial, está a criar emprego e riqueza, além de oferecer uma imensa variedade para novo consumo social e convívio cultural”, aponta António Fonseca, presidente da Associação de Bares.

“O ‘boom’ existe e a perspectiva de crescimento é real”, refere Rui Miguel Silva, o criador do Armazém do Chá (wine bar, sala de estar, palco ao vivo), que desde 2008 emprega 20 pessoas.

“O negócio está em alta, é verdade. Há uma erupção”, concorda Abel Montenegro, gerente do Rádio (bar, disco, jardim interior), que inaugurou este ano e que nas noites cheias faz três rotações de lotação máxima (400 pessoas).

“Acabou-se o silêncio da cidade vazia. E isto vai crescer. E ainda mais”, decreta Miguel Seabra, sócio do café ‘neo-noir’ Candelabro, que esta semana faz um ano.

Mas tão intenso, e abrupto, crescimento tem que ter um lado negro. É o outro lado do ‘boom’: o “botelhão”, importação da expressão espanhola “botellón” que classifica o consumo juvenil de álcool na rua, de bar em bar, entre as 23 e as 3 da manhã – com as consequentes violações da lei do ruído, da lei do vidro e das normas de civismo e salubridade pública.

“Tem que haver mais regras e as que já há têm que ser aplicadas. Nem a Câmara, nem a PSP se devem eximir de fiscalizar, de ordenar”, retorna António Fonseca, que confirma haver um défice de fiscalização. “Mais nunca é demais”, conclui.

Fonte – Jornal de Notícias

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