Como cartografar um processo

O esforço (inglório?) de cartografar a gentrificação (via openfile):

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Recortes de imprensa: Hostels” promovem reabilitação e dão nova vida ao centro do Porto

Os ‘hostels’ tornaram-se a grande atracção de turistas, diz Rui Moreira, presidente da Porto Vivo (SRU).

Contar quantos ‘hostels’ (alojamentos de baixo custo) abriram nos últimos anos no centro do Porto é uma tarefa difícil mesmo para quem está a investir neste ramo de negócio. São seguramente mais de 25 as unidades em funcionamento, elogiados por turistas e cibernautas, e classificados entre os melhores da Europa.

 A reconversão de prédios antigos, muitos deles até há poucos anos ocupados por empresas de serviços e comércio, tem devolvido nova vida aos centros das cidades. “Os ‘hostels’ tornaram-se a grande atracção dos turistas e são eles que estão a dar vida à cidade”, atesta o presidente da Porto Vivo – Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU), Rui Moreira.

[Link: Ler o artigo completo na fonte]

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«Vida no Campo»

Álvaro Domingues prepara o segundo livro da trilogia dedicada às recentes mutações do território português. A editora está a promover a campanha 500 subscritores para publicar o livro antes de Março! Mais informações em http://www.alvarodomingues.net/

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Uma história portuguesa

Segundo o Diário do Minho, a Câmara Municipal de Braga «não emitiu uma única licença que visasse a realização de reconstruções de habitações familiares e os números oficiais dão conta da inexistência absoluta de qualquer imóvel destinado a habitações cuja reconstrução tenha sido concluída ao longo dos anos 2008, 2009 e 2010». Isto, de facto, explica muita coisa.

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O postiço e o real

Esta pequena notícia passou despercebida, o que é pena porque se trata de um claro sinal dos tempos. A Polícia Municipal do Porto terá impedido a realização de um concerto numa sala de espectáculo devidamente licenciada para esse efeito. Não estamos a falar de qualquer sala de espectáculos, é apenas o decano dos teatros portuenses, o Teatro Sá da Bandeira. O problema é que nem a provecta idade desta instituição a protegeu dos avanços de um recém-chegado, o Hotel Teatro, que se terá sentido incomodado com o ruído do negócio vizinho.

No site do hotel pode ler-se que «O Hotel Teatro nasce no mesmo lugar onde, em 1859, se inaugurava o Teatro Baquet. 151 anos depois ergue-se, no mesmo local, um hotel que recria esse ambiente ímpar, requintado e boémio do Teatro. As portas saúdam todos os que visitam com o poema de grande poeta romântico portuense – Almeida Garret. / A recepção representa uma bilheteira, onde cada hóspede adquire um bilhete para aceder ao seu quarto». O hotel, não só se apropria de uma memória que não lhe diz respeito, como também não parece ser capaz de a respeitar, efabulando uma imagem em torno conceito «giro» de teatro, oferecendo um simulacro, uma coisa postiça aos seus clientes. Entretanto, o Teatro verdadeiro, o seu vizinho, vê-se acossado e impedido de desenvolver a actividade para a qual se encontra legalmente credenciado porque isso incomoda os hóspedes do teatro faz-de-conta.

Quando o postiço toma o lugar do real, é ultrapassada a linha imaginária que delimita e contém a identidade das comunidades: já não somos o que somos, somos aquilo que os outros julgam que nós somos. Por meia dúzia de patacas fazemos números de circo como teatralizar um hotel ou hotelificar um cinema (como o caso Cinema Águia), (re)calcando, para esse fim, o mais possível a nossa própria identidade. Disneyficamo-nos para inglês ver («Como optámos por uma decoração tão neoclássica, há pessoas que acham que recuperamos o palácio», como dizia Pilar Monzon a propósito de outro hotel recentemente inaugurado no Porto, o Palácio das Cardosas) e com isso perdemos de vista a evidência de que uma cidade não pode viver apenas do turismo e que até mesmo os turistas precisam de algo mais do que hotéis e um cenário para se sentirem atraídos por uma cidade. Não será, com certeza, por causa dos quartos de hotel que um turista visita uma cidade, por mais alegóricos e folclóricos que estes sejam. As cidades postiças, que se vestem para seduzir, não convencem o turista que, por definição, aspira à autenticidade do lugar. A autenticidade não se define e nem se aponta ao visitante, porque este terá a competência para a pressentir e apreciar. A autenticidade resulta da vida quotidiana das pessoas e da qualidade das suas acções que têm lugar (e fazem o lugar) no espaço urbano de uma forma espontânea, não dirigida para o consumo do olhar do estrangeiro. Tenho muita dificuldade em perceber que mais valia podem trazer estas manobras branding urbano replicadas um pouco por todo o mundo. Autenticidade implica autoctonecidade, isto é, o direito de conduzir a sua vida pessoal e social segundo os padrões culturais específicos e únicos de um lugar.

O trabalho, a cultura e as pessoas constituem a paisagem humana das cidades. O Porto foi e, apesar de tudo, ainda é uma cidade de cultura. A música, o teatro e o cinema fazem parte do nosso ADN e apenas precisamos que nos deixem continuar assim, prescindindo de imitações e, sobretudo, não nos podemos permitir que o simulacro se sobreponha ao real. Termino lembrando que o mesmo Teatro Baquet, cujo ambiente o Hotel Teatro diz recriar, ficou tristemente célebre pelo horrível incêndio de 20 de Março de 1888 no qual morreram carbonizadas mais de uma centena de pessoas. Em honra das vítimas erigiu-se, no cemitério de Agramonte, um monumento fúnebre com os restos de ferro retorcido e demais materiais. Mas esta parte da história não tem lugar na disneylândia.

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Origem da foto [link]
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Nova lei das rendas

A lei que deveria ter sido aprovada em tempos de crescimento económico, vê finalmente a luz do dia na pior altura possível. Nem proprietários, nem inquilinos estarão nas melhores condições para aproveitar as potencialidades da lei. No entanto, será de esperar que esta seja a porta de entrada de promotores internacionais mais robustos e ágeis que poderão adquirir imóveis a proprietários descapitalizados. A concretização deste cenário depende, todavia de um desenho escorreito da lei em causa. Até ver parece-me repleta de alçapões, imprecisões e omissões que terão de ser regulamentados e/ou corrigidos nos próximos meses. Pessoalmente e segundo uma primeira impressão, dois aspectos merecem discussão: 1) A liberalização  das rendas (de que sou defensor) não pode descartar o papel do estado, até porque a situação actual foi criada artificialmente pelo próprio estado. Por esse motivo, a definição do valor da renda não deveria resultar apenas da negociação entre as partes, devendo ser politicamente regulamentada, pelo menos numa fase inicial; 2) Descarregar o ónus da despesa suplementar das rendas dos +65 e dos inválidos sobre a Segurança Social é um estratagema cujo resultado é imprevisível a longo prazo quer para a sustentabilidade da própria Segurança Social, quer para a eficácia da própria legislação. Deveria ser considerada a criação de uma taxa especial sobre as rendas actualizadas com o objectivo de compensar as perdas dos proprietários involuntariamente onerados com este tipo de encargos. Em todo o caso, esta pode ser a lei das rendas que abre, em definitivo, o quintal português ao mercado internacional. Para o melhor e para o pior.

Imprensa:

Processo negocial para atualizar rendas antigas parte do senhorio

Processo de negociação do valor da renda abre caminho a mais despejos

Lei das rendas: As 10 principais mudanças anunciadas hoje

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A quadratura do círculo

A quadratura do círculo: Poderá haver gentrificação sem expulsão dos pobres? Poderá a gentrificação ser boa para todos? A propósito destas (e de outras) questões, vale a pena seguir o debate em torno de Washington D.C. 

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Festival de Cinema Urbano: 4. “LUZ”

LUZ from Left Hand Rotation on Vimeo.

Mais um projecto Left Hand Rotation. Ler ainda notícia no SpressoSP e consultar obrigatoriamente o blog dos moradores: Apropriação da Luz.

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Cidades de natal

A Lonely Planet sugere as cinco melhores cidades europeias para fazer compras em mercados de natal: Colónia, Viena, Bruges, Estrasburgo e Praga. A rua, aqui, explora a vantagem competitiva que tem relativamente aos centros comerciais. E o clima não é um problema.

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“Revitalização” (entre aspas)

Do lado de lá do Atlântico, chegam-nos estas novidades de S. Paulo. O processo é muito idêntico ao que se passa um pouco por todo o mundo e em Portugal, sobretudo no caso da cidade do Porto. Uma confusão entre interesses privados e públicos, com contornos ambíguos e deficitária de participação pública. Enfim, the same old story…

«São Paulo não precisa da Nova Luz, diz urbanista».

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Festival de Cinema Urbano: 3. “Montréal, tales of gentrification in a bohemian city”

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No 112º aniversário de Borges

Hoje é o 112º aniversário de Jorge Luis Borges. Para celebrar a data, poderia ter escolhido o conto “TlönUqbarOrbis Tertius”. Mas um blog sobre cidades também não ficará nada mal servido com “Fundación mítica de Buenos Aires” ditada pelo próprio:

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Estação de S. Bento entre as “16 mais belas do mundo”

A estação de caminhos-de-ferro de São Bento, no Porto, foi considerada pela edição on-line da revista norte-americana “Travel+Leisure“, como uma das “16 estações mais bonitas do mundo”.

A revista de turismo e lazer, que afirma ter 4,8 milhões de leitores, destaca na estação de São Bento os painéis de azulejos da entrada: “Se o exterior é certamente bonito e traz-nos à memória a arquitectura parisiense do século XIX, com o seu telhado de mansarda e a frontaria de pedra, é o átrio principal que o fará engolir em seco. As paredes estão cobertas por 20.000 esplêndidos azulejos, que levaram 11 anos para o artista Jorge Colaço completar.” Continuar a ler

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Comunicado de imprensa: Re-estabelecimento de comerciantes no Mercado

Comunicado de imprensa

O Movimento Mercado Bom Sucesso Vivo vem por este meio tomar posição sobre a forma como a Mercado Urbano, apoiada pela Câmara do Porto, está a tratar os vendedores que pretendem manter as suas bancas de mercado tradicional no espaço proposto pelo projecto daquela empresa. Ao contrário do que tem sido propagandeado pela CMP, não há de facto lugar para qualquer tipo de continuidade para os vendedores do mercado tradicional de frescos como ele é normalmente concebido. Nem mesmo tratando-se de recuperar apenas 44 bancas das iniciais 140.

Segundo as declarações dos próprios ex-vendedores à imprensa há vários casos que o comprovam. No caso de uma loja de 90 m2 que pagava mensalmente à CMP 500 euros, a Mercado Urbano pede agora cinco (5) vezes mais de renda mensal: cerca de 27 euros/m2, ou seja 2500 euros de mensalidade… No caso de um talho que pagava mensalmente à CMP 600 euros, a Mercado Urbano pede agora cerca de 30 euros/m2, ou seja 2000 euros de mensalidade… Os horários exigidos pela Mercado Urbano são também restritivos já que a abertura às 9h00 é tardia para as funções de retalho e venda por grosso.

Estas rendas high-cost que a Mercado Urbano está a propor aos ex-vendedores do Bom Sucesso impedem na prática a sua continuidade no espaço, uma vez que por evidente falta de meios se vêm obrigados a recusar essa solução. Solução que contrasta fortemente com as facilidades e benefícios fiscais que envolvem o negócio low-cost efectuado à margem de qualquer ética entre a CMP e o promotor: uma renda mensal da Eusébios à CMP de apenas 3750 euros (durante 50 + 20 anos), segundo dados oficiais; isenção de imposto IMT concedida pelo Ministério das Finanças em resultado da manobra da classificação do edifício enquanto património municipal, em Dezembro de 2009.

A desproporção entre os valores exigidos aos vendedores e os valores acordados entre a CMP e a Mercado Urbano atingem este patamar de escândalo público. O Movimento faz do protesto não um fim em si-mesmo mas apenas o começo de uma nova proposta pública que englobe a manutenção do Mercado no âmbito das políticas públicas municipais, como é prática corrente na generalidade dos mercados de frescos tradicionais em Portugal.

Para além do aspecto arquitectónico, o texto legal de classificação do Mercado como edifício de interesse nacional refere claramente o seu «valor urbanístico e sócio- cultural, enquanto edifício de referência na paisagem urbana da cidade do Porto e na vivência da população, constituindo um espaço privilegiado de encontro de gerações e classes sociais». O que a Mercado Urbano e a Câmara pretendem é oposto disto mesmo. Ficamos com a convicção de que a anunciada intenção de incluir de alguns dos tradicionais comerciantes serve apenas para criar a ilusão de que a CMP tentou que existisse um mercado de frescos, quando sabe antecipadamente que estes valores são impraticáveis para eles. Assim até poderá um dia argumentar que se não há mercado é porque os comercaint3es não quiseram…

Defendemos uma verdadeira reabilitação do magnífico edifício modernista do Mercado, o que implica a valorização do seu espaço interior mantendo as características genéricas actuais que justificam plenamente a sua classificação como Património. Defendemos também alguma inovação funcional mas sempre com o objectivo de manter e valorizar um Mercado de comércio tradicional de frescos.

Porto, 15 de Agosto, 2011

ASSOCIAÇÃO MERCADO DO BOM SUCESSO VIVO! Por um mercado de frescos requalificado e vivo (http://mercadobomsucesso.wordpress.com/)

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Lisboa arruinada

Lisboa arruinada (screenshot)

Um grupo de cidadãos elaborou uma análise detalhada dos prédios devolutos em Lisboa. Trata-se de um trabalho meritório, tanto mais que é o resultado de uma vontade de intervir na vida cívica de uma forma estruturada e informada. Mais detalhes:

A CML disponibilizou em 2009, no seu site, uma lista de prédios parcial ou completamente devolutos. Com base no ficheiro disponibilizado construímos um mapa onde se identificam esses prédios, pode-se ver facilmente que a cidade sofre de uma doença terrível da qual levará muito tempo a recuperar.

Além disto, aproveitámos e fizemos um apanhado das notícias que vão sendo publicadas sobre este problema, ao longo dos anos, bem como das medidas que são tomadas, com pouco ou nenhum efeito.

Ler esta análise e usar o mapa interactivo em:

http://tretas.org/PrediosDevolutosLisboa

Consultar uma lista de artigos relacionados em:

http://tretas.org/PrediosDevolutosLisboa/Artigos

Lista de vídeos com reportagens e entrevistas em:

http://tretas.org/PrediosDevolutosLisboa/Videos

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A propósito de reabilitação urbana

1. Reabilitação: De nihilo nihilum

A reabilitação urbana está mesmo na moda. Apesar da unanimidade que parece se ter gerado em torno deste tema, será sempre aconselhável tentar exercitar o espírito crítico. Pela minha parte, sou céptico quanto à capacidade da reabilitação urbana, tal como aparece no discurso dominante, regenerar por si só a economia e o tecido social das nossas cidades. Não se trata do equivalente à descoberta do petróleo – como alguns discursos mais empolgados querem fazer crer – e nem é o início de uma nova era das nossas cidades. Peço que não se deixem enganar pelo tom que estou a dar a estas palavras, sou optimista por natureza. Simplesmente sou um optimista muito terra-a-terra, ou seja, considero que a condição necessária para avaliar a bondade de uma ideia é averiguar se parte de um conhecimento efectivo e factual da realidade. Ora, a minha experiência diz-me que há demasiada ingenuidade e wishful thinking nas abordagens à reabilitação urbana que são veiculadas pelos media. A hipótese simpática de uma reabilitação grátis até poderá ser considerada, mas ficará dependente da cedência de edifícios por parte das entidades públicas e da disponibilidade das empresas de materiais de construção para embarcarem em operações de marketing. De resto, parece-me que esta hipótese ignora muitos outros encargos e responsabilidades. Por outro lado, a chamada “reabilitação low cost” aparece como uma solução sedutora, mas tal como reconheceu um dos promotores deste negócio, trata-se de uma abordagem limitada na medida em que abrange apenas o universo muito restrito de edifícios em bom estado de conservação e totalmente livres de inquilinos. Neste caso, “low cost” não passará de um inteligente exercício de branding empresarial. Claro que é possível uma solução como a que foi proposta pelo Vítor, mas as condições da sua aplicabilidade ,tal como muito bem explicaram a Charlotte e o Pedro, não são razoáveis. Admito que, em algumas situações pontuais, com uma confluência improvável de factores, poderia ser uma solução interessante, mas nunca generalizável.

2. Reabilitação ad infinitum

Todas estas propostas, aliás, não deixam de ser boas ideias, simplesmente de nada ou pouco nos servem porque se concentram na excepção e a reabilitação urbana não deve ser a excepção (se bem cada edifício de um centro histórico deva ser tratado como excepcional) mas a norma na gestão dos centros urbanos. A nova retórica instituída pelos principais protagonistas (políticos, técnicos, corporações profissionais…) reduz a reabilitação urbana a uma oportunidade de negócio, uma espécie de onda pronta a ser cavalgada. No entanto, como se sabe, as vagas, por maiores que sejam, acabam sempre por passar para dar lugar a outras. É certo que ninguém pode negar a evidência da degradação dos centros históricos e dos índices de reabilitação ridículos, mas é precisamente por esse motivo que a reabilitação urbana não poderá ser reduzida a uma mera oportunidade de negócio, uma janela de oportunidade única e irrepetível. Só no centro histórico do Porto existiam mais de cinco centenas de edifícios em mau estado de conservação e muitos mais exigem intervenções com alguma relevância e, no futuro, pela ordem natural das coisas, será a vez de outros tantos. Não é uma situação que conheça um princípio e um fim, mas uma tarefa infinita, sisífica, que transcende as questões meramente técnicas e as circunstâncias económicas. Quem entrar no sector, deve ter a consciência de que entra para ficar porque esta actividade não é um entretém enquanto a crise não vai embora. Não é na reabilitação urbana que se vão reciclar os maus profissionais e as empresas habituadas a outra vida. A reabilitação urbana é um nicho que tem condições para crescer e de se tornar num negócio sustentável, mas não salvará, por si só, a nossa economia e para se ressuscitarem as cidades, infelizmente, não basta cuidar do património edificado. É preciso saber habitá-las.

3. Reabilitação: algumas sugestões

Para a reabilitação urbana funcionar não é preciso reinventar a roda. Os principais estrangulamentos são mais do que conhecidos e duas medidas poderiam ser suficientes para se desencravar o processo: liberalização total do arrendamento e aumento da pressão fiscal sobre os proprietários de edifícios devolutos. A liberalização das rendas, por motivos de ordem social, deve ser implementada com as cautelas necessárias. O estado dificilmente poderá suportar os custos sociais da liberalização das rendas, pelo que seria de estudar a criação de um fundo de compensação para os arrendatários que não estejam em condições de acompanhar a subida dos preços da habitação. Este fundo de compensação poderia ser constituído a partir de uma percentagem sobre todos os contratos de arrendamento. Acredito que tal medida seria muito mais proveitosa para a economia nacional do que a cobrança de I.V.A. sobre os arrendamentos e resolveria o nó górdio que atrapalha a transição para um mercado aberto sem perder de vista a equidade social. No que diz respeito ao aumento da pressão fiscal sobre os proprietários que insistissem em manter o seu património inactivo, os valores deveriam ser bastante penalizadores e actualizados semestralmente. Os proprietários teriam de fazer prova da sua intenção em colaborar com o processo de reabilitação, inscrevendo a sua propriedade num gabinete de gestão local, o qual se encarregaria de encontrar a melhor solução para cada caso. Caso contrário, se optassem pela inoperância, seriam taxados em valores revistos em crescendo em cada semestre.

Convém dizer que tudo isto não passa, mesmo assim, de uma simplificação, já que existem variáveis que também pesam e entravam o normal funcionamento das coisas. Sabemos que as entidades envolvidas na reabilitação urbana, não obstante a evolução recente com as SRUs, ainda não funcionam na sua plenitude, gerando desconfiança nos investidores. Custos adicionais, conflitos de interpretação dos projectos entre entidades que deveriam trabalhar em consonância, atrasos nos tempos de resposta (já para não falar dessa instituição nacional que é o mês de Agosto em que ninguém consegue fazer nada porque os serviços pura e simplesmente ficam paralisados), falta de transparência nos pareceres (seria uma excelente medida se, por exemplo, o IGESPAR fosse obrigado a publicar online todos os pareceres que dá, de maneira a, pelo menos, tentarmos perceber para que lado sopra a decisão discricionária dos seus responsáveis), estratégia de reabilitação excessivamente centrada nos grandes investidores merecendo uma correcção no sentido de se reconcentrar no pequeno investidor e na intervenção lote a lote e, para não me estender muito mais, a letargia dos profissionais do sector, incapazes de assumir um maior protagonismo, limitando-se a seguir as políticas definidas em vez que explorarem outros caminhos, nomeadamente através de parcerias e projectos colaborativos. Muito mais haveria a dizer, mas em breve terei novidades quanto a este tema.

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O desígnio

A reabilitação urbana, a par das indústrias criativas, foi tomada como um novo desígnio nacional e como uma tábua de salvação para tudo: desemprego, crise económica, anemia cultural, desigualdade social e geracional, democracia local e tudo o mais do que se possam lembrar. Será, no mínimo, interessante verificar que os prosélitos desta boa nova são, muitas vezes, os mesmos que conduziram as nossas cidades ao estado em que se encontram hoje em dia.

O discurso político apropriou-se da coisa e a reabilitação urbana passou a ter honra de capítulo de programa eleitoral e até, imagine-se!, a discursos inflamados nas homilias partidárias. Em simultâneo, a indústria da construção civil e patrões em geral, as ordens profissionais do sector e, por incrível que pareça, a própria banca , finalmente convertidos, anunciam estudos, programas e, no fundo, uma nova era. Pelo que se conhece da nossa história recente, é de temer que deste súbito interesse pela Reabilitação Urbana poderão resultar consequências pouco virtuosas. A avaliar por algumas intervenções já feitas, é de crer que corremos o grave risco destes protagonistas colocarem na recuperação das nossas cidades todo o know-how adquirido ao longo de décadas na destruição e saque das mesmas.

Os tempos que correm não serão os mais propícios para se exigir reflexão e cautela: a urgência da crise e a pacificidade das ideias unanimes exigem-nos que se faça alguma coisa já. Seja lá o que for. A boa notícia é que as cidades são entidades resilientes, capazes de sobreviver a quase tudo, até às investidas daqueles que as pretendem salvar. A reabilitação não deve ser um período de excepção de uma cidade, uma vaga passageira, mas um cuidado contínuo connosco próprios e com o nosso ambiente. Vivemos como se ainda não tivéssemos aprendido a habitar.

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A reabilitação urbana, em definitivo, está na moda.

Uma rápida pesquisa no Google permite-nos detectar uma crescente relevância da temática relacionada com a reabilitação urbana. A evolução da notoriedade do termo “reabilitação urbana” cresceu exponencialmente de 2004 até 2011 (*7 de Julho):

Continuando a usar a mesma ferramenta, verificamos ainda que o interesse pelo tema tem, como é natural, crescimento correspondente na imprensa. Segundo o Google, as notícias que contêm este termo saltaram de 502 e 584 em 2009 e 2010, respectivamente, para 1570 só até metade deste ano! Nunca antes se produziu tanto discurso sobre a “reabilitação urbana”. O que significará tudo isto?

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Maior ecopista do país abre hoje na região do Dão

É inaugurada hoje a ecopista do Dão, que liga os concelhos de Viseu, Tondela e Santa Comba Dão, através do ramal ferroviário do Dão desactivado. Trata-se da maior ecopista do país, com meia centena de quilómetros, incluindo os 7,5 inaugurados há quatro anos no concelho de Viseu, desde a cidade até à localidade de Figueiró. Continuar a ler

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Faro inaugura horta urbana e entrega talhões a famílias e instituições

Famílias e instituições de solidariedade de Faro recebem hoje pequenos terrenos para cultivar produtos biológicos numa Horta Urbana localizada na zona da cidade velha, informou hoje a autarquia. Continuar a ler

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Sessão cinematográfica/debate “As Operações SAAL”

4 de Julho de 2011, 21h30, Teatro da Cerca de S. Bernardo, Cerca de S. Bernardo, Coimbra.

Exibição do filme “As Operações SAAL” de João Dias [Portugal, 2007, 90 minutos, M/12], seguida de debate sobre o tema com José António Bandeirinha. Esta actividade acontece no âmbito da semana dos Estágios de Verão Ciência Viva no CES, este ano subordinado ao tema “Cidades e Participação Cidadã”.

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O stress da cidade está a deixar uma marca no cérebro das pessoas

O Metro à hora de ponta é só um exemplo do stress vivido na cidade, que infelizmente não acaba em cada experiência que se tem ou numa noite bem dormida. Foi isso que cientistas verificaram ao comparar pessoas que vivem em cidades com pessoas que vivem em zonas rurais. As primeiras reagem de uma forma diferente a experiências com stress. Esta diferença está marcada no cérebro, é mais profunda para quem nasceu e cresceu na cidade e está relacionada com doenças mentais como a esquizofrenia. O estudo foi publicado esta quarta-feira na revista Nature. Continuar a ler

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Documentário Banksy – Pinta a Parede! “Exit Through the Gift Shop”

Aconselho vivamente a visualização do documentário sobre o crescimento da Arte Urbana seguindo alguns dos seus principais impulsionadores. Entre eles destaco Banksy, artista Britânico que atingiu o estrelato internacional. Entre os participantes estão presentes ainda Mr. Brainwash, Space Invader, Shepard FaireyOBEYJoshua Levine.

O documentário mostra por um lado as verdadeiras intenções dos artistas de rua e por outro o aproveitamento económico de pseudo-artistas de rua.

Sinopse

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Menezes quer Gaia e Porto unidos por túnel

A Câmara de Gaia está a projectar a construção de um túnel rodoviário mergulhado nas águas do Douro para ligar a praia de Lavadores (Gaia) à zona do Castelo da Foz (Porto). A obra custa 54 milhões de euros. Para o túnel ser sustentável deverá ser portajado. Continuar a ler

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Territorial Stigmatization (Porto, 22 de Junho)

Especialistas de todo o mundo debatem “Estigmatização Territorial” na Faculdade de Letras da Universidade do Porto

O encontro anual da Rede de Investigação “Advanced Urban Marginality”, constituída há cerca de dois anos por iniciativa de investigadores das Universidades do Porto, Edimburgo e Califórnia/Berkeley, realiza-se este ano na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. O momento alto do evento será uma conferência internacional com a participação de perto de vinte especialistas de todo o mundo, que apresentarão os seus trabalhos realizados em torno do tema da estigmatização territorial. Esta conferência terá lugar no Anfiteatro Nobre da FLUP, no próximo dia 22 de Junho, 4.ª Feira, com entrada livre, e fechará, pelas 18:00, com uma conferência proferida por Loïc Wacquant (ver nota biográfica abaixo).

Intervenções adicionais de: Alfredo Alietti, Marta Cruz, Manuela Ivone Cunha, Paul Kirkness, Eduardo Marques, Bruno Monteiro, Izabela Naves, Sonia Paone, Sandra Marques Pereira, Virgílio Borges Pereira, José Madureira Pinto, Franck Poupeau, João Queirós, Troels Schulz-Larsen, Tom Slater, Kennosuke Tanaka, Stephanie Terreni-Brown e Justus Uitermark.

O programa do evento e os resumos das comunicações podem ser consultados no ficheiro em anexo. Informações adicionais disponíveis no website do Instituto de Sociologia, em http://isociologia.pt, ou no website da Rede, em http://www.advancedurbanmarginality.net.

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250 documentos (pdf) em consulta aberta

Depois de alguns percalços com a nossa base de dados, lá conseguimos repor as nossas páginas  Biblioteca Virtual, Cartas do Património e Documentos. Mais de 250 documentos em PDF disponíveis para consulta. Desde do Bicho-da-Madeira à European Urban Charter II. Não é tudo sobre a Reabilitação Urbana, mas é, de facto, muita coisa.

PS: Aceitamos sugestões para novas incorporações. Se conhece ou produziu algum documento ou estudo sobre o tema da Reabilitação Urbana, contacte-nos (a5cidade@gmail.com) para o integrarmos na Base de Dados existente.

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Central Park quer expulsar músicos ambulantes dos seus parques

É uma das mais recentes polémicas em Nova Iorque. O mítico Central Park, em Nova Iorque, palco de tantos filmes e séries de Hollywood, paraíso em plena Manhattan, está a perder os seus muitos músicos que animam os dias de quem por ali passa, fruto das novas medidas adoptadas que impõem zonas de silêncio nos jardins. Continuar a ler

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Cidades-fantasmas na Irlanda: Relíquias do Tigre Celta

Quando a bolha rebentou e a Irlanda entrou em crise, nem todos tinham dinheiro para pagar os empréstimos. Cerca de 120 mil casas ficaram desocupadas.

Não há ninguém que saia na estação do DART (comboio suburbano) de Clongriffin, vindo de qualquer dos sentidos. Também não há ninguém a trabalhar na estação. Na entrada, avisa-se que só há gente a trabalhar lá de manhã aos dias da semana. Não há assistência a potenciais passageiros durante a tarde, nem aos fins-de-semana. Chegar a este bairro é como chegar a uma cidade do Velho Oeste. Não há movimento. Continuar a ler

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2ª Conferência Cidades pela Retoma (Porto)

2ª Conferência Cidades pela Retoma Porto

http://www.acdporto.org/

https://www.facebook.com/CidadespelaRetoma

A segunda conferência Cidades pela Retoma no Porto é dedicada a projectos que estão a nascer na Cidade numa altura de grande crise e incerteza. Serão duas conversas em torno de projectos desafiadores, de natureza empresarial ou cívica, promovidos por cidadãos e pautados pela criatividade.

3 Junho (21h00-23h30)

Boas-vindas | Miguel Barbot | ACdP

Reabilitação Low-cost | Filipe Teixeira | Plano B e Low-cost Houses

A criatividade em tempo de crise: caso FilmesdaMente | Nuno Rocha e Victor Santos | FilmesdaMente

Projecto Es.Col.A | João Taborda e Ewelina | Es.Col.A: espaço autogestionado do Alto da Fontinha

9 junho (21h00-23h30)

Boas-vindas | Vitor Silva | ACdP

Media pela Cidade | Ana Isabel Pereira | Porto24

Por uma reabilitação urbana Open Source | Adriana Floret e David Afonso | Floret Arquitectura

Ideias para a Cidade | Alexandre Ferreira e Pedro Menezes Simões | ACdP

Global City 2.0 e encerramento | José Carlos Mota | Cidades pela Retoma

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Colóquio “Terra de Santa Maria: espaços de cultura em debate no 10º aniversário da Revista Villa da Feira‏

Nos próximos dias 17 e 18 de Junho, irá decorrer, no Auditório da Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira, o Colóquio subordinado ao tema Terra de Santa Maria: espaços de cultura em debate no 10º aniversário da Revista Villa da Feira. Este evento marca, desta forma o início do 10º ano de publicação da Revista Villa da Feira, publicação que tem vindo a ser lançada através da Liga dos Amigos da Feira e contará com um cartaz abrangente em conformidade com o trajecto que a referida tem vindo a desenvolver ao longo da última década.

As inscrições encontram-se abertas até ao próximo dia 03 de Junho, inclusive. Estas são gratuitas e poderão ser efectuadas para os seguintes contactos: filipemspinto@gmail.com e villadafeira@gmail.com

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